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AQUI A GENTE FAZ CINEMA ASSIM #169 – XINGU

23.05.2019

Em abril de 2012 a produtora estreou “Xingu”, longa dirigido por Cao Hamburger. Desafiador cinema feito com responsabilidade.

Os jovens irmãos Villas Boas, protagonistas do roteiro, se integraram na década de 50 às expedições pelas matas do Brasil Central e dedicaram suas vidas à defesa dos índios, respeito à sua cultura e ao meio ambiente.

Em 1961 eles conseguiram a criação do Parque Nacional Indígena do Xingu. A primeira terra indígena homologada pelo governo federal.

O filme apresenta como os irmãos tornaram sua missão uma tarefa de contato, pacificação e respeito para com os diversos povos indigenas da região centro-oeste do país.

São os indígenas os grandes personagens do filme. Pelo último censo o Brasil tem 869.900 indígenas, 350 etnias que utilizam 274 idiomas.

A preservação da diversidade das pessoas e o respeito aos indígenas e ao meio ambiente são as marcas de “Xingu”.

O texto da professora universitária Maria José Cruz Fabiano, em 10 de abril de 2012 ao seu filho, Luis Fabiano, atualmente produtor junto a área de entretenimento da O2, resume a repercursão do trabalho da turma de Xingu.

“Fui assistir ao filme Xingu.
Filmaço.
O Cao Hamburger tem o péssimo costume de me emocionar. Fui às lágrimas em vários momentos do filme. Por questões pessoais mais do que políticas. Lembrei das aulas do professor Altenfelder, do Carlos Moreira e até do velho Tom Muller.

Imagine, o Parque foi criado em 1961. Eu fui estudar antropologia dez anos depois, então era tudo muito recente e os Kreen Akarore estavam sendo dizimados. A gripe e a febre sempre chegam primeiro. Os irmãos sofreram todo tipo de pressão e resistiram. No final, eles salvaram muita gente. Eu entendo que os Caiabi só sobreviveram como nação indígena graças ao parque.
Bom … me emocionou.
O filme está muito bem feito e com um enorme respeito aos índios. Transpira Rondon: “Morrer sim, matar jamais.” Não folcloriza, não idealiza, mas toma o partido deles, sem dúvida nenhuma. Por outro lado, não há outro partido possível. O contato com o branco é sempre letal para o índio e o filme deixa isso claro. Seja pela gripe, pela bala ou pela escravidão, não há saída para o índio.

O filme também não apresenta o parque como panacéia e nem como delírio, mas como uma alternativa, possível naquele momento, para garantir a sobrevivência de grupos indígenas, dentre eles os Caiabi.

Ele utilizou atores indígenas e os atores que fazem os irmãos estão muito convincentes. A partir de agora o Orlando vai ficar com a cara do Felipe Camargo. Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs! E o João Miguel que faz o Cláudio está muito bem também.
Quando eu vi o Noel Nutels chegando na aldeia eu o reconheci. Escolheram o ator perfeito para representá-lo. Rsrsrsrsrsrsrsrs! Não precisei ouvir o nome. Falei pro papai: é o Noel Nutels. É era.
A última cena é contundente: não era possível evitar o contato. Só foi possível chegar antes dos outros…”

Confira o trailer do longa: